Lisboa · terça-feira, 14 jul 2026 Edição NB · Nº 079
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Redes sociais · Menores NB-L077

A Europa quer adiar as redes sociais para depois dos 13 anos

Ursula von der Leyen anunciou que a Comissão Europeia vai propor uma idade mínima para as redes sociais: antes dos 13, só com supervisão dos pais. Portugal já tinha começado a andar. A parte difícil, verificar a idade sem vigiar toda a gente, é onde isto se ganha ou se perde.

A Europa quer adiar as redes sociais para depois dos 13 anos
FIG. NB-L077 · Redes sociais · Menores

Seis horas por dia num ecrã, esticadas ao comprimento de uma vida, somam vinte anos inteiros. Foi com esta conta que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou a 13 de julho, em Bruxelas, que a União Europeia vai propor uma idade mínima para as redes sociais. Antes dos 13 anos, nada de conta própria, só utilização supervisionada por um adulto. A partir dos 13, acesso gradual, e condicionado: as plataformas terão de provar que os seus serviços são adequados e seguros para adolescentes, com propostas legislativas prometidas para depois do verão.

«As redes sociais não são um brinquedo», disse. E a comparação que escolheu diz tudo sobre a lógica da proposta: na Europa, quem fabrica um produto é responsável pela sua segurança, tal como acontece com os carros. A partir de agora, o mesmo princípio passa a valer para o feed.

É essa a mudança que importa, mais do que o número. Até hoje, o padrão era o acesso aberto: as plataformas declaravam uma idade mínima de fachada, fácil de contornar com uma data de nascimento inventada, e cabia aos pais serem a única firewall da casa, sozinhos contra equipas inteiras de engenheiros pagos para maximizar o tempo de ecrã. A proposta europeia inverte o ónus. Deixa de ser a família a provar que consegue resistir ao produto, passa a ser o produto a provar que não faz mal a quem lá entra.

Portugal já tinha começado a andar

A proposta de Bruxelas chega a um país que não estava à espera dela. A 12 de fevereiro, o Parlamento português aprovou na generalidade a restrição do acesso livre às redes sociais a menores de 16 anos, com PSD, PS, PAN e JPP a favor, e o diploma está agora a ser afinado na especialidade: proibição total até aos 13, e dos 13 aos 16 só com consentimento expresso e verificado dos pais, com as plataformas obrigadas a um mecanismo de verificação de idade compatível com a Chave Móvel Digital, a identidade digital do Estado no telemóvel. Desde setembro de 2025, o uso de telemóveis está proibido nas escolas até ao 6.º ano. França, Espanha e Grécia seguem caminhos semelhantes, e alguns governos defendem que a fasquia europeia devia estar nos 15, não nos 13.

A parte difícil não é a idade, é a verificação

Escrever «13 anos» numa diretiva é a parte fácil. Verificar a idade à escala de um continente é onde isto se ganha ou se perde, porque verificar a idade de uma criança implica, na prática, verificar a de toda a gente. Foi precisamente esse o aviso de Mariana Leitão no debate português: proibir redes sociais a menores «pode parecer uma solução simples», mas arrisca exigir vigilância sobre todos os cidadãos. O receio é legítimo. Feito da pior maneira, com cada plataforma a exigir fotografias de documentos, troca-se um risco por outro, entregando bases de dados de identidade a empresas com historial repetido de fugas e abusos de dados. Feito da maneira certa, o modelo é o que o diploma português aponta: uma entidade que já conhece a tua idade confirma apenas «é maior de 13», sem dizer quem és nem guardar onde estiveste. A diferença entre as duas versões é técnica e invisível para o público, e é exatamente por isso que vai ser preciso vigiá-la.

Há limites honestos a admitir. Uma VPN, o truque que muda a morada aparente da ligação, continuará a furar qualquer fronteira digital, e nenhuma verificação trava um adolescente determinado. Mas as leis de idade mínima nunca funcionaram por serem infalíveis, funcionam por mudarem o padrão. O tabaco e o álcool também se arranjam antes da idade, e nem por isso os vendemos ao lado dos cromos.

Enquanto a lei não chega, a firewall continua a ser quem sempre foi:

  • Adiar a primeira conta o máximo que conseguires. É a única medida com efeito garantido, e cada ano conta.
  • Se a conta já existe, ativar a supervisão parental dentro da própria app, com tempo limite e conteúdos filtrados.
  • Ecrãs fora do quarto à noite. O sono é a primeira vítima do feed infinito.
  • Falar antes de proibir. A lei define idades; a confiança define o que os filhos te contam quando algo corre mal.

«A infância não espera. E quando passa, ninguém a devolve», rematou Ursula von der Leyen. Vinte anos de vida dentro de um ecrã não se devolvem, adiá-los uns anos é o mínimo que uma sociedade adulta pode fazer.

Fontes: The Record, Euronews, ECO, Público.

#StaySafe
🙏🖖

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