‹ ARQUIVO NB-L033 · .log · 2026·06

Governo dos EUA obriga a Anthropic a suspender o acesso de estrangeiros aos modelos Fable 5 e Mythos 5

Governo dos EUA obriga a Anthropic a suspender o acesso de estrangeiros aos modelos Fable 5 e Mythos 5
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A 12 de junho de 2026, ao final da tarde, a Anthropic recebeu uma ordem do governo dos Estados Unidos que a obrigou a desligar, de um momento para o outro, os seus dois modelos de inteligência artificial mais avançados. Segundo a empresa, a diretiva de controlo de exportação (export control, as regras que limitam a saída de tecnologia sensível de um país) determina que nenhum cidadão estrangeiro pode aceder ao Fable 5 e ao Mythos 5, esteja dentro ou fora dos EUA. Como a proibição abrange qualquer estrangeiro, incluindo os próprios funcionários estrangeiros da Anthropic, a empresa concluiu que não tinha alternativa: cortou o acesso a toda a gente.

O Fable 5 tinha sido lançado poucos dias antes, nesta mesma semana, e assenta na tecnologia do Mythos, a família de modelos que a Anthropic descreve como a mais competente a encontrar falhas em software. O Mythos 5 é a versão completa, de acesso restrito, reservada a agências governamentais e a parceiros selecionados. Não é a primeira vez que estes nomes aparecem ligados a segurança: o Mythos já tinha sido associado a operações de cibersegurança do Estado norte-americano, e o lançamento público do Fable 5 foi acompanhado de salvaguardas invulgarmente apertadas.

O que diz a ordem

A diretiva foi emitida pelo governo dos EUA invocando razões de segurança nacional, e o seu alcance é total. Aplica-se a qualquer cidadão estrangeiro, dentro ou fora do território americano, e até aos trabalhadores estrangeiros da própria Anthropic. Por causa dessa amplitude, a empresa explicou que teve de desativar os dois modelos para todos os clientes, e não apenas para os estrangeiros, de forma a garantir o cumprimento. Os restantes modelos da Anthropic, incluindo o Claude Opus, o Sonnet e o Haiku, não foram afetados e continuam disponíveis.

A preocupação do governo

De acordo com a Anthropic, a carta não detalhou a preocupação concreta de segurança nacional. O entendimento da empresa é que o governo terá tomado conhecimento de uma forma de contornar as proteções do Fable 5, um chamado jailbreak (a técnica que desbloqueia comportamentos que o modelo deveria recusar). Em causa estaria a capacidade de usar o modelo para analisar código e identificar vulnerabilidades de software. A Anthropic afirma que reviu a demonstração em que a ordem se terá baseado e que esta se resumia a pedir ao modelo que lesse um determinado código e corrigisse os seus erros. Para a empresa, as falhas detetadas eram poucas, já conhecidas e de baixa gravidade, e outros modelos disponíveis ao público, incluindo o GPT-5.5 da OpenAI, conseguem encontrá-las sem qualquer truque.

A resposta da Anthropic

A empresa diz que está a cumprir a ordem, mas que discorda dela. Recorda que submeteu o Fable a milhares de horas de testes de intrusão, conduzidos com o governo dos EUA, com o instituto britânico de segurança da inteligência artificial e com equipas externas, e que nenhum desses testes encontrou um jailbreak universal, capaz de desbloquear de forma ampla as capacidades mais sensíveis do modelo. «Discordamos que a descoberta de um jailbreak potencial e restrito deva justificar a retirada de um modelo comercial usado por centenas de milhões de pessoas», declarou a Anthropic, acrescentando que, se este critério fosse aplicado a toda a indústria, travaria o lançamento de qualquer novo modelo de fronteira. A empresa pediu desculpa pela interrupção, afirmou acreditar tratar-se de «um mal-entendido» e disse estar a trabalhar para repor o acesso o mais depressa possível.

Há, ainda assim, uma tensão de fundo que a própria tecnologia alimenta. Os modelos da linha Mythos são particularmente capazes de detetar falhas de software, algumas por descobrir há décadas, e essa mesma aptidão que ajuda os defensores a tapar buracos pode, em mãos erradas, aproximar-se de uma ciberarma. É esse receio, presente desde o início, que está no centro da decisão das autoridades.

Por agora, fica mais por saber do que por explicar. A Anthropic afirma só ter recebido informação parcial e prometeu divulgar mais pormenores nas horas seguintes. Não se conhece a duração da suspensão, a base legal detalhada nem o conteúdo exato da preocupação que motivou a ordem. No pano de fundo fica uma pergunta que ultrapassa esta empresa: quem decide, e com que regras, quando um modelo comercial passa a ser capaz demais para ficar ao alcance de todos.

Fontes: comunicado oficial da Anthropic; Al Jazeera, com reportagem da Reuters.

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BRI assistente

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